Parte 1: Abadon e Young
No início ainda havia um equilíbrio...
Os reinos de Crona sempre viram conflitos
e guerras, porém, nada se comparava à ganância da família Ben-Shakar. Desde o começo,
Young, “O Grande General” e primeiro
rei das províncias que se tornaram o Reino da Luz, mostrou-se ambicioso por
poder, tentando impor a ideologia do “caminho
da luz”, legado de sua família e dos aurianos, para o mundo.
Os aurianos, manipuladores do éter (luz),
sempre acreditaram que eram predestinados a unir o mundo e purifica-lo em nome
de Rá. Graças à profecias e lendas
mui remotas, passadas de geração em geração e reiteradas pelos sacerdotes da
religião do Caminho. Os Ben-Shakar,
família mais forte dentre os aurianos, sempre tomou a liderança e tratou de pôr
em prática tudo quanto acreditavam.
Uma das profecias dizia que o portador da
Luz que havia de unificar o mundo e purifica-lo, viria da família Ben-Shakar,
que havia de ser a família real. E Young acreditava ser tal “salvador”, mesmo
que nenhum sacerdote lhe confirmasse isso.
Doravante, haviam pedras no caminho. Abadon foi a pior afronta ao primeiro
rei da Luz. Como todo auriano habilidoso, aquele possuía o domínio do éter.
Além de ser membro da família real, Abadon era primo e amigo do rei. Porém ele jamais
concordou com os planos audaciosos de Young para o reino e para o mundo, o que
criava discórdia entre eles. Contudo, os dois se amavam como irmãos, pois
tinham crescido juntos.
O que começou a apartá-los de vez foi a manifestação
de um poder desconhecido, chamado por alguns de éter negativo – ou poder das
trevas para os sacerdotes. Este poder era como uma luz oposta, escura, com
propriedades e aptidões diferentes da “luz” comum. Abadon o despertara, gerando
a inveja de Young que, de início, tentou desafiá-lo para comprovar quem era o
mais forte (e perdeu). Numa última tentativa – mesmo com as tentativas
sacerdotais de banir Abadon de vez por se opor aos planos reais –, Young tenta
convencer seu primo a ficar ao seu lado e ajudar na expansão do Império auriano.
Ele se nega, culminando em sua expulsão
e exílio do reino.
A partir daí Abadon fica conhecido como Filho
de Set (ou Setekh), tendo até seu nome proibido de ser mencionado em
todo o reino da Luz. Os sacerdotes lhe chamaram assim por acreditar que aquele
poder despertado era maligno e não provinha de Rá.
*Obs: Set, o deus
das trevas, é inimigo de Rá, o deus Sol que é adorado pelos aurianos.
Mesmo depois disso, Young não conseguiu a
expansão do Império como almejava, mas foi o responsável por tornar o reino da
Luz ainda maior, através da construção de grandes cidades e com investimentos
na tecnologia militar. O Reino da Luz era conhecido em todo o mundo por sua beleza
e poderio.
Já Abadon, foi para bem distante e
casou-se com uma princesa, assumindo o reino do pai de sua esposa. Esse reino
ficaria conhecido no futuro como Reino das Trevas. Os filhos do “Filho de Set”
também herdariam a habilidade de seu pai, sendo chamados de trevianos. E num tempo não muito
distante, muitos trevianos habilidosos surgiriam, criando assim um temor aos presunçosos
aurianos.
Parte 2: Luz sobre as Trevas
O equilíbrio
estava se acabando...
Muitos anos já
haviam se passado desde Abadon e Young. Muitos reinos e países haviam surgido.
Porém, ninguém era capaz de desafiar o reino da Luz. Todos sabiam dos anseios
dos aurianos e da imposição que eles faziam frente ao mundo, mas eles ainda não
tinham se manifestado grandemente.
Foi durante o
reinado de Heos I que tudo começou a
mudar. O Ben-Shakar recebeu a profecia de que o mais novo de seus filhos gêmeos
era o escolhido para tornar realidade tudo quanto fora profetizado desde os
tempos mais remotos. A oráculo do templo de Rá confirmou que o príncipe seria
aquele a derrubar todos os inimigos dos aurianos e ele seria o primeiro
Imperador da Luz.
A Estrela mais
brilhante, O Portador da Luz, o Unificador do mundo, o Purificador e Senhor da Luz: Seu nome é Lúcifer, Heosphoros,
é Heilel Ben-Shakar.
Heos criou
alianças com os reinos do Trovão, Taranis
e Lei Gong; e com os reinos de Gaia,
Oasis e Éden. Esse foi o pontapé inicial para dar início ao Império que
Heilel haveria de liderar, casando-se com Vega,
filha de Van Inza, rei de Éden.
Mas para isso
acontecer, Heilel teria de mostrar o seu valor. Mesmo participando de guerras
durante a sua juventude, revelando bravura e genialidade nas batalhas como
nenhum antes dele, a prova de fogo era aniquilar o único elemento que poderia
um dia barrar os planos da Luz: O éter negativo. Uma nova profecia revelava que
se os descendentes de Abadon não fossem exterminados, isso culminaria numa
grande queda para o Império da Luz.
A ordem foi
dada: O Reino das Trevas deveria ser exterminado! E foi.
Num único dia,
todo o grandioso Reino das Trevas, que até então vivera fechado para todo o
mundo exterior, foi derrubado por Heilel e os 12 guardiões sob seu comando. Este evento fez o mundo temer e
despertar para o grande poder do reino da Luz que agora declarava seu Império.
Heilel foi reconhecido como a encarnação de Rá entre os aurianos e aclamado
como o Senhor da Luz, tomando a liderança de seu pai.
*Obs: Os 12 guardiões são um time de elite que reúne os
mais fortes soldados do reino da Luz, cada um com uma habilidade especial
diferente. Sua principal função é proteger o rei. Existe um 13° que responde
principalmente à sacerdotisa do Templo de Rá, representando os sacerdotes.
O objetivo de Heilel agora era conquistar os
demais reinos de Crona para pôr os planos da Luz em ação. Transformar todos em
dominadores do éter, extinguindo os demais elementos, pois assim todas as
pessoas alcançariam purificação através do elemento divino que só os aurianos
detinham. Assim, toda a raça humana seria abençoada por Rá, transformando-se
numa raça perfeita, como os aurianos acreditavam que eles mesmos eram por deter
o éter.
O próximo passo do Senhor da Luz era
dominar a Região do Fogo, onde estavam os reinos de Bennu, Wawel e Yamata, lugar rico e estratégico para
os anseios do Imperador. Entretanto, seria uma tarefa árdua que levaria a uma
guerra de sete anos, acarretando na morte de milhares de civis inocentes. O que
Heilel não esperava é que os dominadores do fogo fossem tão resistentes e
perseverantes. Algo que também revelaria uma facção denominada de ”A Resistência”, que declarava oposição
e rebeldia aos planos da Luz.
Parte 3: Chamas que não se apagam
O desequilíbrio encontra resistência...
O “Anjo”
manifestava a vontade do Senhor da Luz e pregava o Caminho da Luz para todos em
praça pública, mas todas as pessoas no reino em que ele estava podiam ouvir a
sua voz. Era algo divino. Como se fosse um enviado de deus, ele se apresentava
e dava a chance de se redimirem perante Rá, aceitando o Império da Luz e a sua
purificação. “Negado” seu clamor, as tropas invadem e aniquilam quem não aceita
a vontade de deus – e é assim em toda a cidade em que o décimo terceiro
guardião se revela. Ele traz a “paz” ou a “guerra”. Ele é o emissário do
Império, sendo a voz sacerdotal em ação. Ele aparece e some num feixe de luz e
sua presença pode ser horrorosa para os inimigos de Heilel.
Foi assim em Bennu, Wawel e Yamata, reinos
da Região do Fogo. Todos o negaram e todos pagaram caro por não aceitar o
“caminho da luz”. A guerra que perdurou sete anos, revelou a resistência de
cinco crianças: Odrich, Gin, Ryu, Vincent e Kendra.
*Obs: Bennu representa
a fênix egípcia; Wawel representa a cidade da lenda do dragão polonês; Yamata
representa a lenda japonesa de Yamata no Orochi, a grande serpente de oito
cabeças.
Durante a guerra denominada de Guerra do Fogo, Vincent, que era apenas
uma criança que tinha perdido seus pais e sobrevivia saqueando casas e lojas
abandonadas, reencontra Kendra, sua amiga da escola infantil. Ela estava
abalada após ser a única sobrevivente numa explosão que acabara com o orfanato
onde se mantinha depois da morte de seus pais. Ela já não tinha o braço
esquerdo que perdeu alguns meses antes. Vincent ficou chocado com o estado em
que encontrou Kendra, mas a levou para o esconderijo que ajudava seu amigo
Odrich a zelar. Este último, filho de militar, havia posto tudo que aprendeu
com seu pai em prática mantendo um abrigo à margem de um rio, numa das regiões
de batalha. Mais tarde eles encontrariam Ryu e Gin, que eram irmãos de criação.
Os pais de Ryu teriam adotado Gin depois dele ter perdido seus pais. Um tempo
depois Ryu também perderia os seus na queda de um míssil no telhado de casa.
Os cinco se ajudavam saqueando alimentos e
revezando na vigília do esconderijo, até o dia em que foram resgatados por um
homem chamado Yan. Membro da resistência, Yan Yotobi tratou de levar as crianças
à base oculta da facção no reino de Wawel, onde elas ficariam seguras enquanto
a resistência ajudava os reinos do Fogo em combate. Porém, certo dia, Odrich
saiu à noite, seguido por Gin, e os dois foram alvejados e mortos. O que gerou
uma revolta ainda maior em Vincent e Ryu. Kendra se uniu mais aos dois,
fortalecendo a amizade entre eles três nesse período.
A Guerra do Fogo teve um “fim” sete anos
após seu início, com a trégua cedida pelo Império da Luz que, por mais que
fosse poderoso, não conseguia avançar nas terras ardilosas dos fortes
guerreiros do fogo. O não avanço das tropas aurianas também se deveu às
alianças durante a guerra entre os reinos de Bennu, Wawel e Yamata, já que
antes disso sempre foram povos inimigos. A resistência também foi de grande
valia como aliada nas batalhas mais brutais nesta guerra.
Isso tudo pra Heilel foi uma grande
derrota, aliás a primeira dele no comando, que só não foi tão vexaminosa pois
no mesmo período a Luz dominou outras regiões de menor expressão, porém muito ricas,
ajudando a manter o Império. A partir desse evento, a resistência passou a ser
considerada inimiga do Estado e a ser procurada e investigada.
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